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Os Paramore são capa da revista Rock Sound que chegou às bancas no dia 11 de setembro. Os scans da revista já haviam sido publicados no site e podem ser vistos AQUI.

O artigo completo e a entrevista à Hayley Williams podem ser lidos agora traduzidos neste post.
Nos seis meses desde o lançamento do seu quarto álbum “Paramore”, Hayley Williams, Jeremy Davis e Taylor York viajaram mais de 80 mil km e tocaram 53 concertos em 25 países, o que é mais do que a maioria das pessoas vai viajar durante toda a sua vida. E enquanto eles têm vivido na sala de embarque dos aeroportos, hotéis anónimos e camarins vazios de paredes brancas, “Paramore” ficou em 1º lugar em 13 países (incluindo o primeiro número um na Billboard nos EUA) e os bilhetes têm sido vendidos em centenas de concertos à volta do mundo. Mais importante, os Paramore envelheceram: mentalmente, fisicamente e emocionalmente.
Quatro meses antes do álbum ser lançado, Hayley fez 24 anos e o Taylor 23; dois meses mais tarde, Jeremy fez 28. O cliché é que crescemos durante os nossos anos de adolescência e quando chegamos aos 21 ou 22, já temos a nossa merda toda resolvida e sabemos tudo sobre a vida, mas isso não é verdade. Toda a gente neste planeta apenas está a tentar sobreviver, e ninguém sabe como agir ou o que fazer a maioria das vezes (perguntem aos vossos pais se eles têm a vida resolvida e se eles responderem que sim, são mentirosos) – e isto é adequa-se a estes três como com a toda gente. O lançamento de “Paramore” foi como acabar a escola ou a universidade – só porque tens um chapéu e um pedaço de papel não significa que sabes o que isso quer dizer, tens de colocar as peças no lugar por ti mesmo – e Paramore é uma história sobre crescimento que ainda está a ser escrita.
Então como têm sido este seis meses para a banda? E o que 2013 até agora ensinou à Hayley, Taylor e Jeremy sobre eles mesmos? Enquanto a aclamação inicial sobre “Paramore” estava lá por causa dos seus fãs e mundo em geral, é o primeiro álbum dos Paramore que se pode considerar que houve um crescimento. O que se percebe mais é o quanto a Hayley dá de si nestas 17 músicas. O álbum é severo – quer seja no refrão de “Grow Up” onde a Hayley proclama que “Some of us have to grow up sometimes / And so, if I have to I’m gonna leave you behind” (“Alguns de nós têm de crescer às vezes / E se eu tiver que o fazer vou te deixar para trás”), ou em “Anklebiters” onde ela diz que “Try to remember just how it felt / to make up your own steps” (Tenta lembrar-te qual era a sensação / de dar os teus próprios passos”) – a língua dela está ao rubro. Mas a amargura não é para ninguém em especial.
“Há muita autocrítica [no “Paramore”] porque eu fui muito dura comigo mesma durante os dois anos que fizemos o álbum”, Hayley confessa. “Acho que estava a tentar fazer-me crescer. Não que eu não quisesse ser mais uma criança, mas eu precisava de aprender a deixar passar e não guardar rancor. E isso é um processo. “Não é que eu seja perfeita e 100% feliz agora – ainda tenho as minhas próprias batalhas – mas este álbum foi sobre aprender como por um pé a seguir ao outro e não olhas para trás tantas vezes.”
E isso é um processo que apenas o tempo pode suavizar. Crescer leva tempo e quando se considera que a Hayley passou os últimos 9 anos da sua vida na estrada e na frente do público, durante os anos mais importantes em que uma pessoa, uma mulher se desenvolve, a habilidade dela para o fazer foi intercetada. Foi como se desde que ela, o Taylor e o Jeremy puderam se afastar um pouco de tudo, que a sua adolescência a apanhou.
“Oh “Ain’t It Fun” é sobre isso, eu percebi muito depressa que eu tenho estado em digressões desde os meus 15 anos, saí da casa dos meus pais aos 18 e comprei uma casa aos 21. Tinha feito todas essas coisas que pareciam ser os passos certos para me tornar uma adulta, mas havia a parte emocional que eu nunca tinha experienciado. Percebi que não podia forçar, mas eu queria tanto – não apenas por mim, mas por nós os três. “Quando se é adolescente, há tantas coisas que significam tanto e que parecem a coisa mais prejudicial que já aconteceu no mundo e depois cresces um bocadinho e percebes, “Wow, afinal precisava de passar por aquilo”. Ou afinal não foi assim tão mau, mas não quer dizer que essas coisas não importam. Os adolescentes são doidos, mas quem tem 24 anos também. Eu canto muito menos sobre estar numa banda [no álbum], e mais sobre ser uma mulher com 24 anos a viver no mundo real, a tentar navegar por tudo isto. Não quero que as pessoas sintam que estão a ouvir uma rapariga que faz parte de uma banda e toca na O2 Arena. Sim, em parte isso é absolutamente o que sou, mas isso não é mesmo quem eu sou. Continuo a ser uma pessoa, e é isso que quero passar. Quero que as pessoas oiçam três pessoas a fazer música, onde falamos sobre as nossas vidas, e sobre o que importa para nós."
Mas a parte mais difícil para ela, e para a banda, é abafar as vozes dos críticos, seja na internet ou em revistas ou encontros na vida real. A Hayley pode estar à frente de uma das maiores bandas de rock no mundo, mas ela também passa pelas inseguranças que todos nós sentimos. Expô-las em frente de um mundo cheio de “pessoas do contra”, e vocês podem apenas imaginar o que o que isso faz à autoestima.
“Eu costumava sentir-me realmente culpada por quem eu era o tempo todo. Se era por minha culpa ou por não ser aceite por quem eu era, simplesmente sinto-me mal por isso. Quando a tua mente entra num certo padrão, é difícil romper isso. A maior coisa [que já aprendi] é ser um pouco mais criteriosa com as vozes que ouves e qual a opinião que vais dar valor. Agora, sinto-me mais em linha com algum dos sonhos que tive quando era mais nova, antes ainda de saber o que era deixar-me influenciar pela opinião dos outros.”
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Paramore’, então, demonstrou uma reviravolta musical e liricamente para a Hayley e a banda, mas, com o lançamento do novo álbum, que alterações fez a Hayley às prioridades da sua própria vida? Ela nunca se envergonhou em declarar que a fé e a sua família são duas das coisas mais importantes da sua vida, mas como é que se desenvolveu com os fãs durante os últimos anos? Será que as coisas que eram importantes para a Hayley, durante o processo de escrita de “brand new eyes”, “RIOT!” ou até “All We Know Is Falling”, se mantêm em 2013?
“Tais coisas sempre foram importantes para mim, mas eu penso agora que vivo mais do que antigamente” explica a Hayley. “Nunca estive tão unida com a minha família, nunca estive tão unida com o meu namorado, eu sinto-os como os primeiros amigos que tive na minha vida, pela primeira vez, as pessoas em geral, tanto a minha família, o Chad, ou apenas os rapazes e todos os meus amigos em casa; eu não tenho agora nenhuma amizade que seja “pesada”. Todas as pessoas que estão na minha vida agora tomam conta uma das outras e amam-se uns aos outros, não existe nem um vestígio de conflito. Quero dizer, existem conflitos, mas não existem vestígios de…”
Ela pausa. Trabalho árduo?
“De que outra forma o posso explicar? Costumavam existir uma grande quantidade de relacionamentos “pesados” na minha vida e isso deixava-me em baixo. Sentia-me mesmo em baixo e que era minha culpa. Penso que seja bom não ter que me esforçar pelas amizades que tenho com os meus amigos. Nós todos sabemos bem de onde cada um de nós vem e todos nos apoiamos. E a fé actuou nos momentos em que tive sempre muitas dúvidas. Independentemente do sucesso dos Paramore e do quão boas algumas coisas têm sido na minha vida, sempre tive muito lugar para dúvidas e sempre me senti muito insegura sobre os momentos em que realmente devia ter sido sincera, especialmente se eu acredito no que digo que acredito. Eu preocupo-me muito, penso eu. Penso que todas estas coisas estão, cada vez mais, a convergir para um certo ritmo, ultimamente; apercebi-me agora que nunca foi preciso preocupar-me assim tanto e simplesmente devia relaxar!”
Enquanto a Hayley poderá ver as suas próprias diferenças, o que realmente afecta é quando as pessoas que mais importam se reflectem nas mudanças dela e da banda. “Com os nossos familiares, nós ouvimo-los sempre, mas [os fãs] dizem-nos como diferentes coisas os fazem sentir quando vêm aos nossos concertos. Temos muitos fãs de 2005 e 2006 que sinto mais como amigos agora. Falamos com alguns com alguma regularidade e acompanharam-nos enquanto terminavam a escola secundária e universidade, e agora alguns deles estão a criar empresas, a comprar as suas primeiras casas e a criar famílias, e isso é de doidos. Estamos todos a tornar-nos adultos. Eu sinto que [este álbum] é uma oportunidade para nós realmente passarmos tempo com os nossos fãs, e, ao ouvirem o álbum, eles vão saber quem nós somos; e quando vão aos concertos, eles percebem-no, nós divertimo-nos e é isso. É realmente a primeira vez que sinto isso mais do que qualquer outra coisa que fizemos antes.
Estando nos Paramore e ver os Paramore é divertido novamente e, por isso, eles estão na sua posição mais forte desde sempre. E enquanto o futuro é, como sempre, incerto, o trio está decidido em atacá-lo com ambas as mãos. Pois então já não são nenhumas crianças. “O mais difícil foi aperceber-me que já não sou nenhuma rapariga adolescente. Tal acontecia mais quando acordava nos meus 22 ou 23 anos e era chocante” conclui a Hayley. “Mas depois tive de viver com isso e ser eu simplesmente. Sinto-me uma pessoa e uma mulher mais forte e existe muito mais que preciso de aprender e que quero aprender. Já não é só aprender a cozinhar ou tornar a tua habituação numa casa. É muito mais que isso, tem que ver com a força emocional, e é algo que penso que me entusiasma muito, sentir-me emocionalmente – ou pelo menos um pouco – forte como pessoa, sentir que consigo aguentar tudo e continuar em frente. Seja lá o que isso for…”
“Paramore” foi primeiro desvendado a um grupo devotado de fãs dos Paramore – A banda estava nervosa?
“No mês antes, nós estávamos sentados em casa de férias, ninguém estava a trabalhar, foi terrível, parecia tortura. Começámos a habituarmo-nos às músicas e elas deixaram de ser novas para nós e começamos a pensar, “Será que alguém vai gostar disto? Isto vai alguma vez parecer novo para mais alguém?” Fizemos umas quantas listening parties e senti que estava a correr bem com os nossos fãs mais devotados, para mim assim que isso aconteceu, senti-me muito melhor. Foi um alívio enorme. Eles eram as pessoas que nós queríamos deixar felizes. Definitivamente que queremos ganhar novos fãs – isso também é divertido – mas se as pessoas que nos têm acompanhado durante estes anos não ficasses satisfeitas ou que não sentissem que podiam tirar algo deste álbum então iria ser como se fosse bom para nada.
(uma das) raparigas famosas
Eles podem ter passado alguns anos nos bastidores, mas os Paramore, e especialmente a Hayley, ainda continuam a ser celebridades do topo da lista. Naturalmente, este verão lançou-os de volta aos palcos de entrega de prémios, mais recentemente tocando “Still Into You” nos Teen Choice Awards. E agora que estão mais velhos e sábios, será que eles aceitaram fazer parte da cultura das celebridades?
“Oh claro que não!” admite a Hayley. “Não estou a par dessa cultura no Reino Unido, mas a cultura americana das celebridades? Detesto-a; não a acho mesmo nada fixe. Eu alinho se formos para uma passadeira vermelha – e obviamente não somos melhores que ninguém – então vamos aproveitar para passar um bom tempo, mas eu preferia simplesmente entrar [em palco], tocar o tema e dizer só, “Nós somos os Paramore, até à próxima!”.
O escritor do artigo escreveu um blog sobre como foi entrevistar a Hayley Williams que pode ser lido AQUI.
Tradução feita por Marisa e Zé R.